Será que o álcool é o melhor remédio contra ansiedade e estresse?

Jairo Bouer explica que o álcool pode até ajudar nas doses iniciais, mas não é a solução

Redação Publicado em 24/04/2021, às 15h00

Quando o cérebro entende que é preciso beber para aliviar uma emoção, cria-se um ciclo vicioso - iStock

A pandemia está mexendo com a saúde emocional de todo mundo e, nesse contexto, tem muita gente ansiosa e estressada. Essas pessoas, com todo o excesso de ansiedade e estresse, muitas vezes, ficam mais propensas a beber mal. 

Isso acontece porque toda vez que bebemos para tentar aliviar um pensamento ou emoção negativa, as chances de ingerir uma quantidade maior de bebidas alcoólicas aumentam muito. O álcool, em suas doses iniciais, é capaz de reduzir um pouco a ansiedade e trazer uma sensação de bem-estar. Entretanto, se a bebida aparece para amenizar um momento de muito estresse ou ansiedade, a pessoa tende a beber mais. 

Assim, se ela começa a aumentar a quantidade, esse efeito de controle da ansiedade ou a sensação de bem-estar rapidamente dão lugar a comportamentos inadequados, sonolência, irritação, agressividade, violência, entre outros. Ou seja, o que era para resolver, só piora. 

É um ciclo vicioso 

O nosso cérebro também tende a fazer associações de forma muito rápida. Portanto, se existe alguma sensação negativa e a bebida melhora esse sentimento, o cérebro receberá a seguinte mensagem: toda vez que a sensação negativa aparecer, é preciso beber para aliviar. A partir desse momento, cria-se um ciclo vicioso que leva a pessoa a fazer com que ela beba para evitar uma emoção que causa desconforto. 

Utilize seus recursos 

Não é essa a forma de resolver as dificuldades da vida, como a ansiedade. Se existe alguma dificuldade, o ideal é tentar solucioná-la por conta própria, usando os próprios recursos, e meios, sem recorrer à bebida. 

Além disso, caso tenha um quadro de ansiedade instalado ou de estresse muito severo, não é com bebida que vai ser resolvido. Essas situações serão amenizadas ou solucionadas com a avaliação de um médico, diagnóstico correto e, eventualmente, com a prescrição de alguma mudança de estilo de vida como frequentar a psicoterapia, técnica de relaxamento ou algum tipo de medicação.

Se estamos diante de alguma dificuldade na vida, por exemplo, uma dívida, um problema com a sogra ou sogro, com o amigo ou sócio, não é bebendo que essa história será resolvida. É necessário “arregaçar as mangas” para solucionar com os próprios recursos disponíveis. 

Nesse momento de incertezas e ansiedade que estamos vivendo, muitas pessoas com questões emocionais estão sob risco de beber de maneira exagerada. Então, novamente: beber é legal para confraternizar, para uso recreacional, para se divertir, e não para tentar diminuir a ansiedade e tantas outras dificuldades. 

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