EUA dão sinal verde para aplicativo para evitar gravidez

FDA aprovou aplicativo para celular que ajuda a mulher a identificar o período fértil com base na temperatura basal

Jairo Bouer Publicado em 14/10/2019, às 16h55 - Atualizado às 23h53

-
Crédito: Fotolia

O FDA (Food and Drug Administration), agência que regula alimentos e remédios nos Estados Unidos, divulgou nesta sexta-feira (10) ter dado seu aval para que o primeiro aplicativo para celular usado como método contraceptivo seja vendido diretamente para as mulheres no país, sem que um médico seja consultado antes.

O app, chamado Natural Cycles, foi aprovado na Europa no ano passado e já vem sendo utilizado em vários países, inclusive no Brasil. O aval do FDA ajuda a dar credibilidade para a ferramenta, que tem conquistado mulheres que não podem ou não querem usar outros métodos, como a pílula. Por isso vale a pena fazer alguns esclarecimentos para quem pretende testá-lo.

Em primeiro lugar, é bom dizer que a tecnologia é nova, mas o conceito é muito antigo. O aplicativo é baseado no método da temperatura basal – toda a mulher apresenta um discreto aumento durante a ovulação, por isso o controle das medidas facilita a identificação do período fértil. Antigamente, o que se fazia era usar um termômetro preciso todo dia pela manhã, anotar os resultados e depois fazer o cálculo.

Com o app, o processo é semelhante: a usuária deve usar um termômetro basal (comprado na empresa), colocá-lo na boca todo dia antes de se levantar da cama, de preferência no mesmo horário, e incluir os resultados no sistema, junto com as datas da menstruação. Um algoritmo faz os cálculos e passa a indicar os dias em que é preciso usar camisinha ou outro método de barreira para evitar a gravidez. O sistema só funciona a partir de algumas semanas de uso, e o custo é de 80 dólares por ano ou 10 dólares por mês.

O comunicado do FDA informa que a ferramenta só deve ser usada por garotas com 18 anos ou mais, e que, claro, só funciona se usada corretamente e com cuidado. Ressalta, ainda, que nenhum método contraceptivo é perfeito, por isso existe um risco de se ter uma gravidez indesejada mesmo com o uso 100% correto.

Os estudos clínicos do Natural Cycles envolveram mais de 15 mil mulheres que usaram o app por uma média de oito meses. Para o “uso perfeito”, a taxa de falha é estimada em 1,8%. Ou seja: 1,8 em cada 100 usuárias podem engravidar porque o sistema errou, ou porque o método usado pelo casal durante o período fértil falhou. Já para o uso típico, ou seja, mulheres que não registram os dados perfeitamente ou que fazem sexo sem proteção nos dias férteis, a taxa aumenta para 6,5%.

Este ano, o aplicativo gerou certa polêmica depois de um hospital sueco ter divulgado que, num período de quatro meses, 37 mulheres buscaram um aborto porque a ferramenta tinha falhado. Na ocasião, a empresa responsável pelo app respondeu à imprensa que o número estava dentro da taxa de falha prevista.

É importante dizer que a temperatura da mulher pela manhã pode oscilar por causa de diversos fatores, como uma gripe ou infecção, ou até mesmo porque a usuária bebeu muito e se levantou várias vezes durante a madrugada. Tudo isso diminui a eficácia do método.

Para quem não tem paciência ou teme se esquecer de fazer os registros diários, no horário certo, o aplicativo também não é uma boa opção. Assim, é sempre bom conversar com o ginecologista sobre qual o melhor contraceptivo para você. E não se esqueça: a camisinha é o único método que, além de evitar a gravidez, também protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

comportamento sexo aplicativo gravidez contracepção comportamento e tecnologia anticoncepcional ciclo menstrual gravidez indesejada método início