Deficiência de vitamina D aumenta risco de doenças cardiovasculares

Pesquisa sugere que pessoas com menores concentrações têm o dobro de chances de desenvolver um problema cardíaco

Redação Publicado em 06/12/2021, às 16h00

As doenças cardiovasculares ainda são a principal causa de morte em todo o mundo - iStock

Fornecida “de graça” pelo sol, a vitamina D é um nutriente essencial para diversos aspectos do corpo, especialmente para a saúde dos ossos. Entretanto, quando ela está em falta, não é apenas a estrutura óssea que pode ser prejudicada, mas também a saúde cardiovascular. 

Esses são achados de uma pesquisa da Universidade da Sul da Austrália, que identificou evidências genéticas em relação ao papel da vitamina D na causa de doenças cardiovasculares.

O estudo – publicado no European Heart Journal – mostrou que pessoas com deficiência de vitamina D são mais propensas a sofrer de doenças cardíacas e pressão arterial mais alta quando comparadas às que apresentam um nível normal do nutriente. 

Para os participantes com menores concentrações, por exemplo, o risco de enfrentar um problema cardíaco foi mais do que o dobro do observado nos indivíduos que tinham concentrações suficientes. 

No Brasil e no mundo 

Globalmente, as doenças cardiovasculares ainda são a principal causa de morte em todo o mundo – principalmente doenças isquêmicas do coração e acidentes vasculares cerebrais (AVC) –, tirando cerca de 17,9 milhões de vidas por ano.

No Brasil, aproximadamente 14 milhões de pessoas convivem com alguma condição cardiovascular e, pelo menos, 400 mil morrem anualmente, cerca de 30% das mortes no país.

Em relação à vitamina D, segundo uma pesquisa da Fiocruz, 875 mil brasileiros com mais de 50 anos apresentam deficiência do nutriente e outros 7,5 milhões dessa mesma faixa etária estão com contrações inferiores às consideradas saudáveis. 

Confira:

Para os pesquisadores, entender melhor o papel da deficiência de vitamina D para a saúde cardíaca pode ajudar a reduzir a carga global que essas condições provocam.

Vale lembrar que a vitamina D também está presente em alimentos, incluindo peixes e ovos. Mesmo assim, a comida é uma fonte relativamente pobre desse nutriente quando comparada ao sol.

Quanto de vitamina D é suficiente? 

A quantidade de vitamina D necessária a cada dia depende da idade. As quantidades médias diárias recomendadas estão listadas abaixo em microgramas (mcg) e Unidades Internacionais (IU):

Fase de vida Quantidade Recomendada
Do nascimento aos 12 meses 10 mcg (400 IU)
Crianças de 1 a 13 anos 15 mcg (600 IU)
Adolescentes de 14 a 18 anos 15 mcg (600 IU)
Adultos de 19 a 70 anos 15 mcg (600 IU)
Adultos de 71 anos e mais velhos 20 mcg (800 IU)
Adolescentes e mulheres grávidas e amamentando 15 mcg (600 IU)

 

4,4% dos casos evitados

A pesquisa foi realizada em grande escala e utilizou uma nova abordagem genética de forma a avaliar como os níveis de vitamina D podem afetar o risco de uma doença cardiovascular com base em quão altos eram os níveis reais dos participantes. 

Foram usadas informações de  267.980 indivíduos e, de acordo com os autores, os resultados sugerem que se os índices de vitamina D forem elevados dentro das normas, isso também deve impactar positivamente as taxas de doenças cardiovasculares.

Entre os participantes do estudo, por exemplo, segundo os autores, ao se aumentar os níveis dos indivíduos com deficiência de vitamina D para, no mínimo, 20 ng/mL (50 nmol/L), estima-se que 4,4% de todos os casos de problemas cardíacos poderiam ter sido evitados.

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