Genética interfere na capacidade de “ler” a mente dos outros, diz estudo

Pesquisadores encontraram variações genéticas em comum entre mulheres que se saem bem em teste para medir empatia

Jairo Bouer Publicado em 14/10/2019, às 16h47 - Atualizado às 23h54

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Você consegue ler alguns pensamentos ou emoções de uma pessoa só de olhar nos olhos dela? Eu não estou falando de vidência, mas de empatia. Algumas pessoas têm mais talento para isso do que outras, e, segundo pesquisadores, isso pode ser influenciado pelo nosso DNA.

Cientistas da Universidade de Cambridge desenvolveram, há bastante tempo, um teste chamado “Leitura da Mente pelos Olhos”, que ajuda a detectar o nível de “empatia cognitiva” das pessoas, ou seja, a capacidade de interpretar rapidamente o que um outro indivíduo está pensando ou sentindo só de olhar para os olhos dele.

Em geral, as mulheres têm resultados melhores que os homens, segundo a equipe. E pessoas com autismo e anorexia nervosa tendem a ter pontuação mais baixa no teste de empatia.

Agora, esses mesmos pesquisadores publicaram um novo estudo, em parceria com cientistas da França, da Austrália e da Holanda, bem como a empresa 23andMe, especializada em exames genéticos. Eles concluíram que a genética interfere no resultado do teste de empatia. As informações foram publicadas na revista Molecular Psychiatry.

Eles analisaram o DNA de indivíduos submetidos ao teste, e descobriram algumas variantes genéticas no cromossomo 3 em mulheres com boa capacidade de “ler” a mente dos outros. Curiosamente, nos homens não houve a associação com esse cromossomo.

A equipe, liderada por Varun Warrier, e pelos professores Simon Baron-Cohen, que estuda autismo na Universidade de Cambridge, além de Thomas Bourgeron, da Universidade Paris Diderot, encontrou os mesmos resultados em uma outra pesquisa com 1.500 pessoas.

O assunto ainda precisa ser mais explorado, mas os cientistas dizem que a descoberta é fundamental para entender melhor o que causa variações no nível de empatia. De qualquer forma, a genética seria apenas parte da história: fatores ambientais, como educação e experiências de vida certamente ajudam moldar essa capacidade.

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