Suor excessivo causa mal-estar físico e emocional; saiba como tratar

Além do desconforto, o problema gera enorme constrangimento para a pessoa

Lilian Akemi Ota Publicado em 08/03/2021, às 15h33

Estima-se que cerca de 1% a 3% dos brasileiros sofrem com o suor excessivo - iStock

Hiperidrose é o nome dado ao suor excessivo que algumas pessoas apresentam e que confere mal-estar físico e, muitas vezes, psicológico, uma vez que gera enorme desconforto e constrangimento para a pessoa que sua mais que os outros.

No Brasil, cerca de 1% à 3% da população apresenta esse distúrbio, que é mais frequente entre adolescentes e adultos jovens.

Esfriar o corpo

Suar é um fenômeno natural ao ser humano e a muitos outros animais. Eliminar suor pelas glândulas sudoríparas é uma das maneiras que temos para esfriar o corpo, para que durante nossas atividades ele não esquente demais, pois, como todos sabem, nós, seres humanos, temos uma temperatura constante com pouca variação, que gira em torno de 36° a 37.5° C.

O ditado “homem é uma máquina” faz todo o sentido e, neste caso, a nossa máquina, para funcionar adequadamente e não sofrer com o “superaquecimento do motor”, precisa eliminar calor. E uma das principais formas de fazer isso é suar.

Não é doença

Cada indivíduo é uma máquina única, que necessita eliminar mais ou menos calor conforme exige o seu metabolismo.

Assim, a hiperidrose não é uma doença propriamente dita e sim um mecanismo que o corpo de determinadas pessoas encontrou para eliminar o calor, só que de forma excessiva.

Causas da hiperidrose

Ao que parece, pessoas com hiperidrose apresentam maior sensibilidade e resposta exagerada de certos componentes do sistema nervoso aos estímulos físicos, emocionais e de temperatura. Fatores genéticos também podem estar envolvidos.

Os problemas surgem quando o calor do corpo, associado ao excesso de líquidos saindo pelos poros, acabam causando assaduras, mal odor, micoses, brotoejas e irritações.

Constrangimento

Talvez até mais grave que as consequências físicas é o desconforto psíquico que a pessoa que tem hiperidrose carrega por se sentir constrangido, com receio de que as outras pessoas estejam sentindo seu mal odor ou se incomodem com o excesso de suor aparente nas roupas ou na face. E isso pode gerar graves transtornos psicológicos.

A hiperidrose pode aparecer em qualquer região onde as glândulas sudoríparas estão presentes. Assim, o excesso de suor pode acometer todo seguimento cefálico, abrangendo o couro cabeludo e toda a face e pescoço, palmas das mãos, axilas, regiões do tórax, virilhas, sulco interglúteo e nos pés também.

Em associação ao excesso de suor, as áreas de dobras como axilas, virilhas e sulco interglúteo, em ambos os sexos e, na região abaixo das mamas nas mulheres, possuem um outro tipo de glândulas de suor chamadas de apócrinas, que produzem também uma secreção gordurosa que pode apresentar um odor característico e  bastante intenso.

Suor e mau cheiro

À associação da hiperidrose (excesso de suor) ao odor forte e desagradável se dá o nome de bromidrose.  O suor normalmente é inodoro. Porém, nos casos de hiperidrose ele pode adquirir um cheiro bastante forte e desagradável em qualquer área acometida desde a cabeça até os pés.

Isto ocorre porque o aumento de umidade e o calor local geram maior crescimento bacteriano; e bactérias, até então saprófitas (que colonizam nossa pele mas não provocam doença) começam a crescer e se multiplicarem de forma acentuada. Essas bactérias em número aumentado vão se alimentar das escamas liberadas pela nossa pele e seus catabólitos (dejetos) determinam o mal cheiro.

Tratamento depende da intensidade

Foi criada uma escala na qual a pessoa com hiperidrose quantifica a gravidade de seu quadro. O método é indicado para os casos de hiperidrose axilar, mas que podem ser adaptados para o problema em outras áreas do corpo. A classificação auxilia bastante no direcionamento do tratamento e na estimativa de eficácia terapêutica alcançada.

ESCALA DE GRAVIDADE DA HIPERIDROSE AXILAR

Desodorantes

Nos casos leves, os antiperspirantes à base de alumínio, aplicados à noite e retirados pela manhã, são os mais indicados.

Existem vários tipos de antiperspirantes no mercado brasileiro nas formas de talco, aerosol, roll-on, e pastas e com concentrações diversas. Eles, em geral, podem ser aplicados nas axilas, mãos e pés todas às noites e, conforme a pessoa melhore, a aplicação deve ser diminuída.

Esses sais minerais atuam diretamente nas glândulas sudoríparas levando ao bloqueio dos ductos sudoríparos e/ou sua atrofia.

Entretanto, são comuns os relatos de ressecamento exagerado da pele ao redor e até mesmo quadros alérgicos provocados pela presença dos componentes na fórmula obrigando a interrupção do tratamento.

Hidratação é importante

Caso haja ressecamento, é importante a aplicação de um hidratante na região afetada, inclusive nas axilas. As pessoas criaram um mito de que não se passa hidratante nas axilas.

Para evitar a irritação aplique um hidratante leve, preferencialmente na forma de loção ou serum  e a chance de ter uma alergia pelo desodorante será menor.

Alguns desses produtos também apresentam ação antibacteriana diminuindo, assim, a colonização bacteriana em excesso.

Apesar de ser totalmente contra à utilização de sabonetes bactericidas, eles podem trazer certo benefício nos casos de hiperidrose. Os sabonetes podem ser utilizados, então, no banho, sempre morno. Loções ou géis de antibióticos também são prescritos pelo dermatologista.

Nada de esfregar demais!

Evite ficar esfregando buchas nas axilas ou outras áreas afetadas durante o banho! Tem muita gente que acha que se esfregar bem a pele vai ajudar. Engano total! As buchas vão retirar mais ainda a camada protetora da pele (camada lipídica) podendo aumentar a irritação e a colonização bacteriana.

Limão, também não pode! Muito cuidado com as receitas caseiras e “naturais”, pois elas podem acarretar quadros alérgicos graves associados às manchas que podem ser difíceis de tratar.

Receita natural: o que funciona?

De receita natural, que pode ser feita, é fazer compressas ou banhos de imersão (para os pés e mãos) com chá preto bem forte e frio. O chá preto contém ácido tânico que diminui a secreção de suor. É uma boa maneira de tratar casos leves.  Mas, cuidado! Ele pode manchar as unhas se feito em excesso.

Óleo de maleleuca e bicarbonato de sódio, por serem bactericidas e secativos, também podem ajudar um pouco.

Iontoforese

A iontoforese é outra opção de tratamento. Trata-se de um aparelho que a pessoa compra e aplica em casa. Não se sabe exatamente como atua mas parece promover a oclusão dos ductos sudoríparos conforme o paciente vai fazendo as sessões.

Casos moderados ou severos

Para os casos moderados ou severos existem várias opções de tratamento. Vou explicar cada uma delas:

1. Aplicaçao com toxina botulínica

Muito pouco invasiva, pois é realizada através de seringas e agulhas bem fininhas.

Vantagens: qualquer área pode ser tratada, cabeça, axilas, mãos e pés. Em geral, é utilizado de 50 à 100 U.I. em cada parte afetada.

Desvantagem: é um processo um pouco dolorido, apesar da aplicação tópica de anestésico. Em geral, é realizado 1 vez por ano com bastante eficácia. Deve ser feito sempre pelo dermatologista.

2. Comprimidos

A substância mais utilizada é a oxibutina. Trata-se de uma medicação anticolinérgica bastante utilizada no tratamento de distúrbios urológicos, como a bexiga hiperativa.

Em geral, inicia-se com dose baixas, 2,5 mg ao dia e vai-se aumentando aos poucos, diminuindo assim os efeitos  colaterais como palpitação, vertigens, olho e boca seca.

3. Simpatectomia torácica por videotoracoscopia

O nome é complicado, mas o procedimento é relativamente simples. É um procedimento cirúrgico, realizado na maioria dos casos através de uma aparelho chamado endoscópio, que destrói os gânglios simpáticos através de ablação, excisão ou clipamento. É indicado para hiperidrose palmar e axilar.

Desvantagens: o principal problema da simpatectomia é a alta taxa de  hiperidrose compensatória, ou seja, ocorre aumento da sudorese em outras áreas do corpo  como couro cabeludo, face e tórax. Em geral, ela ocorre no período entre 2 a 8 semanas após o procedimento.

Outras complicações citadas são: alteração da sensibilidade do tórax e, mais raramente, pneumotórax (perfuração da pleura pulmonar) e hemotórax (sangramento), além de  raríssimos casos de arritmias e parada cardíaca.

4. Tratamento com laser subdérmico

Trata-se da aplicação de laser na região subcutânea, levando à destruição das glândulas sudoríparas de forma eficaz e com poucas complicações. É um procedimento realizado pelo dermatologista.

Lembre-se: se você sofre com excesso de suor, procure um dermatologista. Ele é o profissional que saberá qual é o melhor tratamento para você.

 

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