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8 fatores menos conhecidos que podem sinalizar risco de demência

Segundo estudo, a poluição do ar poderia ser responsável por cerca de 21% dos casos de demência - iStock
Segundo estudo, a poluição do ar poderia ser responsável por cerca de 21% dos casos de demência - iStock

Redação Publicado em 04/10/2021, às 11h00

A ciência sugere que o que é bom para o corpo também é bom para a mente: exercícios, uma dieta balanceada e manter um peso saudável parecem ser bons para o cérebro e podem até reduzir o acúmulo de proteínas relacionadas à doença de Alzheimer. Mas existem muitos outros fatores que podem afetar o risco de demência ou perda de memória relacionada à idade. Alguns são óbvios (como a genética), outros são menos. Aqui estão alguns que podem surpreender:

1. Herpes

Cientistas fizeram a surpreendente descoberta de que o vírus do herpes pode desempenhar um papel no desenvolvimento da doença de Alzheimer. Em um estudo de quase 1.000 cérebros humanos, publicado na revista Neuron, os pesquisadores descobriram que os cérebros de pessoas que morreram de doença de Alzheimer tinham até o dobro dos níveis do vírus herpes simplex 6 e 7, em comparação com aqueles que morreram de outras causas. Esses dois tipos de herpes são extremamente comuns e são conhecidos por causar a roséola infantil, erupção cutânea comum na infância. De acordo com as descobertas dos pesquisadores, esses vírus parecem interagir com genes também ligados à doença de Alzheimer.

Em outro estudo recente, publicado na Neurotherapeutics, os cientistas descobriram que pessoas com herpes simplex 1 – o que causa herpes labial – tinham três vezes mais chances de desenvolver a doença de Alzheimer mais tarde na vida, em comparação com pessoas sem o problema. Tomar medicamentos antivirais para tratar os sintomas do herpes parece reduzir o risco; além disso, estudos sugerem que esses medicamentos também podem ser protetores contra a demência.

2. Poluição do ar

As mulheres mais velhas que vivem em áreas com altos níveis de poluição (especialmente as partículas finas, aquelas extremamente pequenas, que podem ser inaladas profundamente nos pulmões) são 92% mais propensos a desenvolver demência do que as que vivem em climas de ar mais limpo, de acordo com um estudo de 2017. A ligação foi mais forte naquelas que tinham o gene APOE4, uma variação genética que aumenta o risco de doença de Alzheimer. Se esses resultados forem verdadeiros na população em geral, disseram os autores do estudo, a poluição do ar pode ser responsável por cerca de 21% dos casos de demência. Quando respiramos essas partículas minúsculas, pode-se desencadear inflamações em todo o corpo. E, para certas pessoas, a inflamação parece ser uma forma de apertar o botão de avanço rápido da progressão da doença de Alzheimer.

3. Dormir mal

Você sabe que perder uma boa noite de sono pode levar à confusão mental no dia seguinte, mas uma pesquisa também sugeriu que o sono perturbado ao longo do tempo pode estar ligado ao acúmulo de proteínas cerebrais relacionadas ao Alzheimer. Os cientistas acreditam que os exercícios liberam as proteínas amilóides do cérebro, que têm sido associadas à doença de Alzheimer, mas que um sono de boa qualidade é necessário para realmente eliminá-las. O sono é absolutamente essencial para “levar o lixo para fora” e manter o cérebro saudável ao longo do tempo.

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4. Fraco sentido do olfato

Uma pessoa que consiga reconhecer odores familiares pode, em breve, ser uma pista importante para prever o desenvolvimento de demência. Um estudo publicado na revista Annals of Neurology descobriu que os voluntários que tinham mais problemas para identificar aromas como mentol, cravo, morango e limão pareciam ter um risco aumentado de doença de Alzheimer. Segundo cientistas, quando alguém não consegue distinguir entre cheiros diferentes, pode ser um sinal de que a doença de Alzheimer está se formando, assim como a doença de Parkinson e outros problemas neurológicos. Os especialistas dizem que um teste de arranhar e cheirar pode ser uma forma barata e não invasiva de identificar pessoas que podem se beneficiar de estratégias de prevenção ou tratamento precoces.

5. Padrão alimentar

Quando os pacientes perguntam aos médicos o que podem fazer para reduzir o risco de demência, alguns recomendam jantar cedo – e nada até o café da manhã seguinte. Jejuar por um mínimo de 12 horas, à noite, sem comer nada após o jantar e durante as horas de sono, assim como ingerir menos calorias no geral, pode ser uma forma de promover a saúde do cérebro à medida que envelhecemos. Restringir a alimentação durante a noite, pode fazer com que o corpo queime corpos cetônicos – um tipo de gordura saudável para o cérebro – em vez de carboidratos. Isso ajuda a abastecer o cérebro com algo que não seja apenas mais eficiente do ponto de vista de queima de energia, mas que também pode ter um efeito antienvelhecimento.

6. Concussões

Para pessoas com histórico familiar de Alzheimer, um golpe na cabeça pode acelerar as mudanças cognitivas e cerebrais associadas à doença. Em um estudo recente na revista Brain, jovens a adultos de meia-idade que tiveram pelo menos uma concussão e fatores de risco genético para Alzheimer tiveram menos massa cinzenta em partes do cérebro associadas à demência, em comparação com outros participantes do estudo.

Esses mesmos participantes também tiveram um desempenho pior em um teste de memória simples, sugerindo que essas mudanças cerebrais poderiam ter consequências reais no funcionamento da memória. Os pesquisadores esperam poder usar essas descobertas para identificar pessoas em risco de desenvolver a doença de Alzheimer em idades mais precoces.

7. Solidão

A pesquisa mostra que os adultos mais velhos que relatam se sentirem socialmente isolados podem estar em maior risco de contrair a doença de Alzheimer. Em um estudo da JAMA Psychiatry, idosos cujas varreduras cerebrais mostraram o desenvolvimento de aglomerados de proteínas amiloides tinham 7,5 vezes mais probabilidade de serem classificados como solitários do que aqueles cujas varreduras foram negativas. Os especialistas não têm certeza do que vem primeiro – se os sintomas da demência fazem com que as pessoas se sintam excluídas, ou se elas se afastam das atividades sociais, ou então se o sentimento de solidão realmente promove o desenvolvimento da demência –, mas eles suspeitam que a relação pode ir nos dois sentidos.

8. Pressão alta

Você sabe que a pressão alta é ruim para seu corpo e cérebro, então os resultados de um estudo recente publicado na revista Alzheimer's & Dementia podem pegá-lo de surpresa: quando a hipertensão se desenvolve na velhice, parece realmente reduzir o risco da doença de Alzheimer. Isso ocorreria porque à medida que ficamos mais frágeis, ter uma reserva de pressão arterial pode na verdade ser uma proteção. Isso não significa que você não deva se preocupar com a pressão alta no início da vida. A pesquisa deixa claro que, para adultos jovens e de meia-idade, a hipertensão não tratada parece aumentar o risco de desenvolver demência mais tarde na vida. Saber seus números quando se trata de pressão arterial, colesterol e índice de massa corporal – e conversar com seu médico sobre como você pode otimizar esses números – ainda é uma das coisas mais importantes que você pode fazer.

Fonte: Health.com

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