Risco genético de doença mental aumentou, revela check-up de homem do gelo

Em compensação, o risco genético associado a doença cardiovascular era maior para o homem de 5.000 anos atrás

Jairo Bouer Publicado em 14/10/2019, às 16h48 - Atualizado às 23h53

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Você acha que o risco de ter um infarto ou derrame é um mal da vida moderna? Pois um grupo de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Geórgia, nos Estados Unidos, fez um check-up genético em um ancestral humano conhecido como Ötzi, que viveu há 5.300 anos, e descobriu que ele tinha grandes chances de sofrer com doenças cardiovasculares, embora tenha morrido com uma flecha espetada nas costas.

Segundo os cientistas, que analisaram as variações genéticas associadas a diversas doenças do homem do gelo e compararam os resultados com o de 147 outros ancestrais, o risco de problemas cardíacos era muito maior para o homem do gelo. Por outro lado, temos maior propensão genética a depressão, esquizofrenia e transtorno bipolar hoje em dia, segundo os resultados publicados na revista Human Biology.

Outros achados são curiosos: o Ötzi, cujos restos foram encontrados na Áustria, também tinha tendência genética a intolerância à lactose e a alergias. Mas apresentava probabilidade maior de ter músculos fortes, o que deve ter sido útil para a caça na época.

De um modo geral, os cientistas dizem que a evolução trouxe mais fatores de proteção para o DNA humano ao longo do tempo. Porém, essa tendência positiva se reverteu nos últimos 500 ou 1.000 anos, exceto para as enfermidades cardiovasculares. Eles ficaram tão intrigados que esperam fazer novas análises para confirmar os achados. De qualquer forma, a pesquisa deve permitir um melhor conhecimento sobre as origens de diversas doenças, além de ajudar a especular sobre a saúde das futuras gerações.

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