Redação Publicado em 03/04/2025, às 10h00
Todo ser humano precisa do contato com a natureza, ainda que não perceba isso de forma consciente. Diversos estudos têm apontado os benefícios de medidas simples, como um passeio rápido no parque, para a saúde e bem-estar. Mas um estudo recente traz uma boa notícia para quem não consegue colocar isso na rotina.
Com ajuda de imagens de ressonância magnética funcional, pesquisadores da Universidade de Viena (na Áustria) e do Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano (na Alemanha) descobriram que até mesmo assistir vídeos da natureza podem trazer benefícios impressionantes.
Em estudo publicado na revista Nature Communications, eles relatam que o contato virtual com a natureza é capaz de aliviar a dor física aguda. A partir dos exames de imagens, eles verificaram que vídeos com paisagens naturais não apenas fizeram as pessoas perceberem sua dor como menos intensa e desagradável, como a atividade cerebral relacionada à dor também era reduzida.
Para chegar à conclusão, eles convidaram pessoas que sofriam de dor para assistir a três diferentes tipos de vídeos: um com cenas da natureza, outro com cenas internas e o último, com cenas urbanas. Todos classificaram seu incômodo durante os testes, ao mesmo tempo em que tinham a atividade cerebral mensurada por exames de ressonância magnética.
Os resultados foram claros: ao visualizar as cenas da natureza, os participantes não apenas relataram menos dor, mas também mostraram atividade reduzida em regiões cerebrais associadas ao processamento da dor.
Os pesquisadores explicam que a dor é como um quebra-cabeças composto de diferente peças, que são processadas de forma diferente no cérebro. Algumas peças estão relacionadas à nossa resposta emocional à dor, e ao quão desagradável ela nos parece (algo que pode variar muito entre as pessoas).
Outras peças correspondem aos sinais físicos que têm a ver com a experiência dolorosa, como sua localização no corpo e sua intensidade.
Ao contrário dos outros vídeos (que funcionaram como placebos), visualizar a natureza mudou a forma como o cérebro processou os primeiros sinais sensoriais brutos da dor. Assim, o efeito parece ser menos influenciado pelas expectativas dos participantes e mais pelas mudanças nos sinais subjacentes da dor, segundo o líder do estudo, Max Steininger, da Universidade de Viena.
“Os resultados são extremamente empolgantes para a pesquisa. Eles sugerem que a percepção de ambientes naturais não é apenas eficaz em estágios posteriores do processamento da dor, mas que eles já influenciam os mecanismos sensoriais básicos do processamento da dor, comentou a coautora do estudo Simone Kühn, do Instituto Max Planck.
Para ela, o estudo deve encorajar mais pesquisas para se obter uma melhor compreensão da base neural dos efeitos positivos da percepção da natureza. Em um estudo feito em 2022, Kühn descobriu que até mesmo uma caminhada de 60 minutos na natureza demonstrou ter um efeito calmante.
Todos esses resultados indicam que abordagens terapêuticas baseadas na natureza podem ser uma adição útil ao tratamento da dor. Com a vantagem de não ter nenhum efeito colateral.